March 2012
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“Eu não sei o que fazer. Quero te deixar viver, quero me deixar viver. Mesmo. Sinto falta de ser feliz, mas tem alguma coisa que me impede de ser novamente. Olha, aqui é o único lugar que me sinto a vontade para me expressar, mas sei que devo parar de escrever aqui. Então, aqui vai, o último. Bom, me desculpe pelo o que eu fiz, por ter feito isso com a gente, tu não sabes o quanto eu sinto...
Eu volto há tanto tempo e cada vez Parece que o meu tempo não passou Eu não encontro nada que me dê motivo Outra vez pra procurar o que sobrou Eu vivo condenado e sem saída De um passado que parece não ter fim Você não sabe de mim
- Fresno
Nos misturamos confusos, sem nos olhar nos olhos. Evitamos nos encarar — por que sentimos vergonha ou piedade ou uma compreensão sangrenta do que somos e do que tudo é? —, mas, quando os olhos de um esbarram nos olhos do outro, são de criança assustada esses olhos. Cão batido, rabo entre as pernas.
(Caio Fernando Abreu. Garopaba, mon amour, in: Pedras de Calcutá)
E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade.
– Caio Fernando Abreu